terça-feira, 25 de maio de 2010

Nestlé Ajudando Na Preservação de Florestas Tropicais

A Nestlé, a maior empresa alimentícia do mundo, anunciou hoje a intenção de parar de comprar matéria-prima cuja produção tenha provocado o desmatamento de florestas tropicais.

A empresa se compromete a identificar e excluir de sua lista de fornecedores companhias que possuam ou gerenciem “plantações ou fazendas de alto risco ligadas ao desmatamento”. Nesse grupo entraria, por exemplo, a Sinar Mas, a maior produtora de óleo de dendê e de papel e celulose da Indonésia, caso não siga a nova política da Nestlé, e intermediadoras como a Cargill, que compram da Sinar Mas.

O anúncio acontece depois de o Greenpeace conduzir uma campanha pública mundial que expôs o uso de óleo de dendê, proveniente de áreas recém-desmatadas na Indonésia, para produzir chocolates como o KitKat. Em dois meses, centenas de milhares de pessoas contataram a Nestlé para avisar que não comprariam produtos ligados à destruição das florestas tropicais.

A expansão das plantações de dendê – usado pela indústria alimentícia, cosmética e como biocombustível – é um dos principais vetores de destruição dessas importantes florestas tropicais, lar de espécies ameaçadas como o orangotango. A Indonésia hoje é um dos países campeões de desmatamento do mundo e, por conta disso, terceiro maior emissor de gases do efeito-estufa.

"Ficamos contentes pela Nestlé ter a intenção de dar um tempo para os orangotangos, e convidamos os compradores internacionais, como Carrefour e Wal-Mart, a fazerem o mesmo", afirma o diretor da campanha de Florestas do Greenpeace International, Pat Venditti. "O passo dado pela Nestlé manda um sinal claro para a Sinar Mas e as demais empresas do setor que a destruição das florestas não é aceitável no mercado global. Elas precisam limpar a cadeia de produção e implementar uma moratória que interrompa a destruição e promova a proteção", diz Venditti. "O Greenpeace vai monitorar de perto o cumprimento e a implantação da política da Nestlé."

Segundo Paulo Adario, diretor da campanha Amazônia, do Greenpeace, "a decisão de um ator mundial como a Nestlé é um claro sinal que o consumidor global não aceita mais estar envolvido com produtos ligados a desmatamento e perda da biodiversidade. Trata-se de uma clara advertência às empresas que, aqui no Brasil, causam, direta ou indiretamente, a destruição de nossas florestas". "Vale também como recado para a bancada ruralista do Congresso: mudar o Código Florestal para permitir mais desmatamento em nada vai ajudar o produtor brasileiro. Ao contrário, vai contribuir para fechar as portas do mercado."
O Greenpeace pede ao governo indonésio que tome atitudes rígidas para conservar as florestas tropicais e de turfa. "Uma moratória protegeria não apenas a natureza como também a reputação de indústrias de óleo e de papel", diz Bustar Maitar, coordenador da campanha na região. "O Greenpeace manterá a pressão tanto no governo da Indonésia quanto nas indústrias que causam a devastação da biodiversidade e do clima.
Fonte: Greenpeace Brasil.

domingo, 23 de maio de 2010

Novo Site do Movimento Em Prol do Xingu

Está no ar o novo site do Y Katu Xingu, movimento socioambiental em prol da conservação das águas do Rio Xingu e de sua sustentabilidade.


Com novo design, formato e cores, podendo até mesmo o usuário participar de debates dentro do sítio e participar de redes sociais.



Entre aqui.

sábado, 22 de maio de 2010

Consórcio Indígena Dando Exemplo

O guaraná em pó e o açaí produzidos pelos Sateré-Mawé (AM) conquistaram o mercado europeu. No final de março, as 120 famílias de indígenas, organizadas em um consórcio, venderam pela primeira vez para um importador francês que irá distribuir os produtos pela Europa.


O contrato foi de 174,4 mil euros, com previsão de exportar 2 mil quilos de guaraná em pó e de 1,5 mil quilos de açaí, que serão enviados por etapas, de acordo com a capacidade de produção e a demanda dos importadores.


A primeira parte da encomenda, de 220 quilos de guaraná em pó, já foi enviada e a ideia é fazer remessas mensais. Para chegar ao destino final, os produtos são levados de barco em um percurso que dura 24 horas até Manaus, de onde são transportados de avião para a Europa.

Os produtores da região, que já contavam com apoio técnico da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), foram atendidos por serviços de câmbio e de certificação digital do Banco do Brasil, disse à Agência Brasil o superintendente do BB no Amazonas, José Amarildo Casagrande.


Os exportadores pagaram pelo contrato de câmbio, no valor de US$ 20, e receberam gratuitamente o certificado digital, que custa cerca de R$ 400, segundo o superintendente. Também foi aberta uma conta corrente na agência do Banco do Brasil no município de Maués em nome do consórcio dos produtores.

Segundo Casagrande, o banco investe na estratégia de desenvolvimento regional e assim conquista novos clientes. “A estratégia é adotada de acordo com a vocação da comunidade. São reunidos parceiros, como universidades, a Emater [Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural] e a Embrapa que oferecem assistência técnica. Acabamos ganhando clientes e há a inclusão bancária de famílias, com desenvolvimento da economia local”, disse. Segundo Casagrande, atualmente o banco apoia na região 60 projetos de desenvolvimento regional sustentado em segmentos como pesca, produção de castanhas e artesanato. Ele disse que o próximo grupo que deve exportar é de São Gabriel da Cachoeira (AM), que produz artesanato, como bolsas e cestos.

O Banco do Brasil destinou R$ 26 milhões a projetos de desenvolvimento regional no Amazonas. Em todo o país, são quase R$ 5 bilhões. (ABr)

22.05.2010

Fonte: Diário do Pará

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Duas Estatais No Consórcio de Belo Monte

Com a entrada de duas empresas, nove formam o Consórcio Norte Energia

Ontem (19) foi aprovada a entrada de dois novos sócios no consórcio Norte Energia, vencedor do leilão para construção da usina hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu (PA). Os novos integrantes são estatais, assim como a Chesf, que já faz parte do consórcio. As informações são do jornal O Globo.

O Conselho de Administração da Eletrobrás deverá aprovar a entrada da própria Eletrobrás e de outra subsidiária, a Eletronorte, no projeto. As três estatais vão dividir os 49,98% da participação da Chesf. Segundo uma fonte técnica, a Eletrobrás ficará com 15%, a Eletronorte, outros 15%; e a Chesf, com 19,98%.

Antes do leilão da hidrelétrica, que aconteceu no último dia 20 de abril, já era prevista a entrada posterior das duas empresas. A Eletrobrás, holding do setor elétrico, terá participação voltada a viabilizar os financiamentos. Já a Eletronorte fará parte do empreendimento como sócio estratégico.

A Eletronorte estuda a viabilidade do projeto da usina de Belo Monte há 25 anos. Por isso, a Eletrobrás havia decidido que a empresa entraria no consórcio vencedor num segundo momento.

O consórcio Norte Energia é formado por nove empresas: Chesf (49,98%), Construtora Queiroz Galvão (10,02%); Galvão Engenharia (3,75%); Mendes Junior Trading Engenharia (3,75%); Ser veng-Civilsan (3,75%); J.Malucelli Construtora de Obras (9,98%); Contern Construções e Comércio (3,75%); Cetenco Engenharia (5%) e Gaia Energia e Participações (10,02%).


Fonte: Amazônia.Org.Br

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Primeiro Incentivo Concreto Resultante de Copenhague

Quando os líderes mundiais estiveram reunidos em Copenhague no fim do ano passado pouco de concreto foi alcançado, porém ficou a promessa de que os países mais ricos ajudariam financeiramente a adaptação dos mais pobres às mudanças climáticas. Agora, no que parece ser a primeira manifestação de algo real resultante da conferência, 30 países se comprometeram a doar US$ 4,25 bilhões nos próximos quatro anos para o Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF).

A quantia representa um incremento de 52% nos recursos do GEF, que já deve liberar US$ 1,35 bilhões para projetos de redução de emissões de gases do efeito estufa.

“Agora é responsabilidade do GEF transformar esses recursos em resultados reais. Essa doação vai ajudar ainda nas negociações da próxima reunião da Convenção de Diversidade Biológica em Nagoya, no Japão, em outubro”, afirmou Monique Barbut, presidente do Fundo.

“Os recursos são um claro sinal do comprometimento da comunidade internacional com a agenda ambiental”, completou Axel van Trotsenburg, do Banco Mundial.

O Fundo Global para o Meio Ambiente é uma ferramenta respeitada por sua competência e capacidade de distribuir financiamentos para outros programas das Nações Unidas e para bancos de desenvolvimento espalhados pelo planeta.

Incentivo

O GEF irá direcionar esses novos recursos para algumas áreas essenciais: mudanças climáticas, biodiversidade, águas internacionais, degradação do solo, poluentes orgânicos persistentes, mercúrio e a camada de ozônio.

Nos próximos quatro anos o fundo irá promover:

• Redução das emissões de CO2;

• Expansão da administração sustentável de áreas protegidas e de paisagens em perigo;

• Fortalecimento da cooperação entre os governos para o manejo de sistemas hídricos;

• Redução de poluentes orgânicos na terra e na água;

• Redução da emissão de mercúrio

Esta foi a quinta vez que o fundo foi reabastecido desde sua formação em 1991. Primeiro foram US$ 2,02 bilhões em 1994, seguidos de US$ 2,75 bilhões em 1998, US$ 2,92 bilhões em 2002 e finalmente US$ 3,13 bilhões em 2006.

Até hoje, o GEF já distribuiu US$ 8,7 bilhões para mais de 2400 projetos ambientais em 165 países pobres ou emergentes.


Autor: Fabiano Ávila
Fonte: CarbonoBrasil/Agências Internacionais

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Consórcio Pedirá Licença Ambiental Provisória

O Consórcio Norte Energia, vencedor do leilão da usina hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu (PA), deve solicitar ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) uma licença ambiental provisória para a instalação do canteiro de obras da hidrelétrica.

A informação é do jornal O Estado de S. Paulo. Segundo uma fonte ligada ao consórcio, não identificada pela reportagem, o objetivo é antecipar o cronograma da obra. Se o Ibama conceder a licença provisória, a construção da usina poderia começar antes de setembro.

De acordo com o jornal, a pressa também tem componentes políticos. Nos bastidores, comenta-se que quanto mais cedo a obra começar, mais a candidata Dilma Rousseff poderá obter dividendos eleitorias com Belo Monte.

Licença Provisória

Não será a primeira vez que um consórcio pede uma licença provisória, antes da concessão da licença instalação. No caso da construção da hidrelétrica de Jirau, no rio Madeira (RO), o Ibama emitiu uma licença que permitiu ao consórcio responsável pela usina instalar o canteiro de obras e uma ensecadeira. A licença provisória, entretanto, não existia nos procedimentos oficiais de licenciamento.


Fonte: Amazônia.org.br

sexta-feira, 7 de maio de 2010

A Antropologia Nacional se Manifesta

Em entrevista ao site Amazonia.org.br, o antropólogo, integrante da Associação Brasileira de Antropologia (ABA), João Pacheco de Oliveira, explica porque a entidade é contra a forma como vem sendo conduzido, pelo governo federal, o projeto de construir a usina hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu (PA).

Para o professor, o processo de autorização da obra tem se realizado com pressa excessiva e sem o devido diálogo com os povos indígenas, para a chegada a um consenso sobre a definição de medidas compensatórias aos impactos que o empreendimento trará a essas populações. Ele, em parte, responsabiliza a Fundação Nacional do Índio (Funai) por essa falta de consulta aos índios. Confira a conversa com o antropólogo.

Amazonia.org.br- Por que a ABA se preocupa com o projeto de Belo Monte?

João Pacheco de Oliveira- A ABA tem uma tradição de se posicionar com relação a projetos de lei ou ações que possam ser prejudiciais aos direitos indígenas. A associação faz isso há mais de 20 ou 30 anos, por meio de uma Comissão de Assuntos Indígenas. Nós temos feito manifestações à opinião pública, às autoridades, recomendando, no caso em que a gente percebe que os índios poderão ser prejudicados, algum rumo de ação.

Amazonia.org.br- Em que aspectos a obra traria riscos aos direitos indígenas?

Oliveira- Nós não temos propriamente um estudo mais circunstanciado, feito pela ABA, sobre essas questões. A associação também não chegou a organizar uma comissão para tratar especificamente o assunto. Mas, isso não impede que a gente ache que o projeto está sendo tocado com uma pressa inadequada e sem avaliações, que conviria existirem. A Constituição Federal fala sobre isso, é importante haver um ponto de vista indígena, uma negociação com os indígenas, um acordo do ponto de vista desses povos. E a gente tem visto ações, pela mídia, ou recebemos manifestações, como a do cacique Megaron, de profunda insatisfação com relação à obra.

Existem também antropólogos e ambientalistas próximos à questão que tem manifestado grandes preocupações sobre a repercussão disso. Eles acham que o projeto deveria ser fortemente revisto, em relação aos grupos atingidos, e em relação a se cumprir requisitos técnicos necessários. Acho que um empreendimento dessa monta só deve ser realizado desde que haja um consenso entre vários estudos científicos, entre várias análises, e que haja uma aceitação por parte dos atores sociais envolvidos diretamente, o que, a nosso ver, não está configurado.

Amazonia.org.br: Quando fala sobre a falta de negociação com os índios, o senhor se refere ao desrespeito à Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT)?

Oliveira- De fato, deve haver essa consulta. A convenção foi aceita pelo governo brasileiro e tem gerado normas de atuação da cooperação internacional, do Banco Mundial, ações da Funai, do Ministério do Meio Ambiente, têm sempre que possível respeitado esse dispositivo, do consenso informado, da consulta esclarecida. Esses são princípios básicos de uma administração pública contemporânea. Não é possível esquecer isso e começar a agir de um modo extremamente acelerado.

Amazonia.org.br- Durante a análise dos impactos de Belo Monte, faltaram estudos antropológicos na região que será atingida pela obra?

Oliveira- Acho que, em combinação com os estudos ambientais, seria recomendado. Se o governo realmente resolver adotar uma política mais adequada em relação a isso, estudos mais acurados poderiam ser feitos. O governo não deveria ver isso como o direito de reclamar, não é isso. O que está se buscando é uma medida de bom senso em relação à proteção dos direitos dos cidadãos da Amazônia e dos direitos constitucionais brasileiros. Não é uma questão de teimosia de grupos ecologistas, antropólogos ou índios. É uma questão do cumprimento das normas e de uma boa política. Essa é uma obra de grande envergadura, e não pode começar a ser feita sem que haja todos os estudos e sejam levantadas as várias possibilidades, de maneira que haja mitigação de qualquer efeito que possa ser levantado por essas ações. É correto que tais ações só sejam iniciadas quando todos os estudos necessários estiverem concluídos, prevendo indenizações, mitigações, resolvendo os direitos das pessoas atingidas, e não sem que isso esteja resolvido, como na situação atual.

Amazonia.org.br- Quais serão os impactos de Belo Monte à cultura dos indígenas, já que muitos terão atividades tradicionais, como a pesca e a navegação, prejudicadas pela barragem?

Oliveira- Naturalmente, um empreendimento dessa natureza deve ter pressão sobre a organização social, a cultura, os rituais, o modo de pensar dos índios. Exatamente por isso a gente acha que deve haver cautela, cuidado, para que não se dê uma ação deletéria, exclusiva, mas que possa até ser feita uma ação em eventual benefício ao próprio grupo atingido. Afinal, se o grupo vai abrir mão de determinados controles que ele exerce sobre o meio ambiente, não o fará certamente para ser prejudicado, mas sim, para receber coisas que ele considera como compensações, que o permitam não sofrer perdas culturais e sociais significativas.

Amazonia.org.br- Diante das atitudes recentes do governo Lula, pode-se dizer que ele não tem demonstrado preocupação com a conservação da riqueza cultural indígena?

Oliveira- Eu acho que é difícil avaliar o governo como um todo. Do ponto de vista sociológico, pensamos em grupos de atuação. No caso da política indigenista, acho que os canais do órgão oficial, da Funai, estão meio limitados, e por isso não fazem o que deveria ser o papel deles. O órgão deveria estar, nesse caso, mediando a situação, conversando com os índios, tentando produzir esses estudos, discutindo com a sociedade civil e com pesquisadores, gerando soluções. Mas, não vejo a Funai nessa posição de tomar iniciativas. Acho que ela está numa postura defensiva. E deveria ser o contrário. A Funai deveria tomar iniciativas, defender os direitos indígenas, realizar estudos, negociar com a sociedade civil e os índios soluções adequadas e de consenso. Mas, se a fundação não dispõe dessa credibilidade, ou dessa estrutura de legitimidade do ponto de vista dos índios, fica mais difícil para ela fazer essa ação. E tem havido manifestações de lideranças indígenas de várias partes do Brasil bastante críticas com relação à atuação da Funai.

Então, o momento exigiria bastante cautela. Se o governo não possui um bom negociador na área indigenista, é melhor ele de certa forma botar suas barbas de molho para não ter um prejuízo político de grande envergadura, que seja resultante de uma ação antipopular, que vai trazer danos à população, e pode ser extremamente politizada num ano de disputa eleitoral.

Amazonia.org.br- Essa postura da Funai pode ser reflexo de uma imposição das decisões do governo federal sobre o modo de agir do órgão, como se tem observado em relação ao Ibama?

Oliveira- Eu acho que há diferença entre os estudos que foram feitos pelos técnicos da Funai e a posição que foi adotada somente pelo órgão, que é de perfilhamento com a posição geral do governo. A função de quem exerce uma tarefa técnica na Funai não é a mesma de cargos políticos, diplomáticos. Ela exige alertar o governo para os riscos que estão sendo corridos, com relação aos impactos reais do projeto e também com relação à polarização da opinião pública sobre isso. Para ter havido tantas matérias na última semana sobre Belo Monte, seria bom o governo reavaliar se ele está mesmo avançando em termos de popularidade, ou simplesmente se desgastando numa questão que parece, para a opinião pública, como a luta entre Golias e Davi.

Amazonia.org.br- A mobilização alcançada pelos indígenas contra Belo Monte representa um marco do poder de organização desses povos na luta pelos seus direitos?

Oliveira- Eu acho que não é tanto assim. Nós passamos no ano passado uma questão extremamente importante, que foi Raposa Serra do Sol [terra indígena de Roraima], situação resolvida ao final, com a homologação do território e atuação firme e eficiente do governo, no sentido de assegurar os direitos indígenas. Essa relação foi mais paradigmática, em termos da relação entre os povos indígenas e o governo brasileiro, porque envolvia repensar todo o processo de demarcação de terras indígenas, a participação de organismos estaduais, do Congresso Nacional e da Justiça. De certa maneira, todas as terras indígenas, não só Raposa Serra do Sol, a partir dessa decisão do Supremo Tribunal Federal [determinando a demarcação de Raposa Serra do Sol em terras contínuas], estavam em discussão também.


Por Fabiola Munhoz


Fonte: Amazonia.org.br

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Desmatamento na Amazônia Registrado por ONG

Relatório publicado nesta terça-feira (3) pela ONG Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia), que monitora de forma independente o desmatamento, aponta que em março de 2010 foram devastados 76 km² na floresta. A área é correspondente a 47 vezes o tamanho do Parque Ibirapuera, em São Paulo.

O Imazon lembra que os dados para o período podem estar subestimados, por causa da cobertura de nuvens durante o mês de março. De acordo com a ONG, foi possível monitorar, no período, somente 37% da área com cobertura florestal na Amazônia Legal, pois 63% do território estava coberto por nuvens. A cobertura afetou 66% do território avaliado em março do ano passado.

O desmatamento registrado para março ocorreu principalmente no Pará, com 45% de toda a área cortada, e no Mato Grosso, com 39%. Rondônia (6%), Roraima (4%), Acre (4%), Amazonas (1%) e Tocantins (1%) completam a lista. A quantia registrada em março deste ano representa um aumento de 35% em relação ao mesmo período de 2009, quando foram registrados 57km².

Segundo a ONG, o desmatamento acumulado desde agosto de 2009 totalizou 1000 km², número que representa um aumento de 24% se comparado com a mesma análise para o período de 2008 a 2009. A quantia também resultou no comprometimento de 65 milhões de toneladas de gás carbônico sujeitas à emissão na atmosfera.

Ainda de acordo com o Imazon, em março deste ano foram registrados 220 km² de florestas degradadas (intensamente exploradas pela atividade madeireira e queimadas) na Amazônia Legal.


Fonte: Painel Florestal.


sábado, 1 de maio de 2010

Flow


"FLow - For The love Of Water" é um premiado documentário da ativista Irena Salina produzido em 2008, capaz de tocar e fazer refletir a todos. Trata da questão da escassez de água enfocando o monopólio deste resurso humano pelas grandes empresas e mostra como pequenas organizações,pequenas idéias realmente, dão enormes resultados.

Este mês, está sendo exibido pelo canal pago Cinemax no dia 01 às 12:40 e as 15:25 no Cinemax*e. Reprisa no dia 04/05 as 20:25h.

Vale a pena conferir o site oficial do filme aqui.


ONGs Preocupadas

Organizações não-governamentais alertam para a política ambiental do nosso país.


Esta não é a primeira vez que as organizações da sociedade civil organizada alertam para o desmonte da política ambiental no Brasil, que está em curso. Em junho do ano passado, um ato público conclamou o Presidente Lula a assumir a liderança da agenda socioambiental e impedir as tentativas de retrocesso nos avanços conquistados ao longo dos últimos anos. Novamente, a sociedade civil vem a público manfestar-se sobre o mesmo tema. Leia abaixo.

Nota

"As entidades signatárias manifestam nesta Nota sua forte preocupação com a atual conjuntura da política ambiental Brasileira, agravada ainda mais com a situação atual por que passam os servidores públicos federais ambientais (MMA / IBAMA / ICMBio / SFB) cujas reivindicações merecem nosso total apoio. O descaso do governo federal para com as carreiras ambientais constitui a derradeira e inequívoca evidência de que presenciamos uma crise inaceitável na política socioambiental brasileira, em pleno Ano Internacional da Biodiversidade.

As evidências de que o projeto de crescimento econômico fomentado pelo governo federal ruma na contramão do desenvolvimento sustentável são inúmeras e graves.

Vejamos:

1) Até agora o executivo federal não se posicionou de forma clara, pública e firme contrário ao movimento de flexibilização generalizada da nossa legislação federal sustentado - em dezenas de audiências públicas recentes - por representantes governistas da bancada ruralista no Congresso Nacional. Dentre as proposições em curso que visam desconstituir algumas das principais garantias legais pós-Constituição de 1988 destacamos:

I - a desfiguração do código florestal com propostas de anistia generalizada para consolidar o uso econômico de desmatamentos ilegais em áreas protegidas ou de risco (Reservas legais e áreas de preservação permanente);

II - propostas para enfraquecer o Zoneamento Ecológico-econômico como instrumento de planejamento fundamental para promoção da sustentabilidade retirando do próprio governo federal o controle sobre a sua qualidade e consistência;

III – proposta para eliminar o poder normativo do CONAMA, órgão de primeira importância do Sisnama por garantir a participação, legitimidade e transparência no desenvolvimento de normas e parâmetros técnicos ambientais;

IV – proposta para suprimir a prerrogativa do executivo de criar unidades de conservação, obrigando a sua homologação pelo legislativo.

2) A aprovação na Câmara dos Deputados, em dezembro de 2009, de dispositivo no Projeto de Lei Complementar (12/09) que suprime o poder supletivo do órgão ambiental federal para o exercício da fiscalização, ou seja, de cobrir a eventual omissão dos órgãos ambientais estaduais, comprometendo de forma significativa o controle do desmatamento e, conseqüentemente, o controle federal sobre o cumprimento das metas de redução de CO2 contidas na Política Nacional de Mudanças Climáticas.

3) O não lançamento até hoje, pela Casa Civil da Presidência da República, da revisão do Plano Nacional de Prevenção e Controle dos Desmatamentos na Amazônia, revisão esta iniciada no primeiro semestre de 2008. Espera-se que a atual revisão inclua as ações relativas aos compromissos estendidos para o Cerrado, parte integrante das metas do item anterior.

4) A defesa exaltada e publicitária de um Programa de Aceleração do Crescimento 2 pautado fundamentalmente em obras de infra-estrutura altamente impactantes e despidas de avaliação ambiental integrada e estratégica. O PAC, em nenhuma de suas versões, contém planejamento correlato que indique um fortalecimento da gestão ambiental capaz de garantir sustentabilidade aos seus objetivos.

5) A insistência na aprovação, inclusive com pressão política exercida sobre técnicos do órgão de licenciamento ambiental federal e manifestações autoritárias na mídia por parte de representantes do TCU e da ABIN contrárias às organizações da sociedade civil que questionam legitimamente no judiciário obras de infra-estrutura comprovadamente anti-econômicas e flagrantemente causadoras de graves impactos socioambientais, como a UHE – Belo Monte, no Pará, e a rodovia BR 319, no Amazonas, cortando o coração da Amazônia.

6) O bloqueio na Casa Civil, em atendimento à pressão do Ministério de Minas e Energia, na criação de novas áreas protegidas sob pretexto de desenvolver estudos para prospecção de áreas para mineração pondo em risco áreas com alto potencial de conservação de biodiversidade.

E por fim,

7) a recusa do executivo federal em cumprir acordo firmado com servidores das carreiras ambientais federais, induzindo com isso a evasão de técnicos qualificados do setor ambiental para outros órgãos públicos melhor estruturados e remunerados, ou mesmo instituições privadas, o que comprometerá sobremaneira a já pouco estruturada política ambiental brasileira.

O fortalecimento institucional dos órgãos responsáveis pela implementação das políticas e legislação ambientais é vital, e não acontecerá sem um tratamento sério e responsável às legítimas demandas dos seus servidores ambientais e da sociedade civil.

O tratamento anti-isonômico e de 2ª categoria conferido às carreiras ambientais nos órgãos federais precisa ser revisto e as demandas apresentadas merecem ser atendidas no curtíssimo prazo.

A omissão do poder executivo federal em relação ao flagrante ataque à nossa legislação socioambiental em curso no Congresso Nacional é também inaceitável cabendo aos líderes políticos do governo federal, em especial ao Presidente Lula, defender a implementação da legislação em vigor e o fortalecimento das instâncias de gestão ambiental federal."

Em 28 de abril de 2010, assinam:

Grupo de Trabalho Amazônico

Rede de Ongs da Mata Atlântica

Apremavi – Associação de Preservação do Meio Ambiente e da Vida

Amigos da Terra - Amazônia Brasileira

Associação de Defesa Ambiental - Kanindé

Conservação Internacional - CI

Fundação SOS Mata Atlântica

Gambá – Grupo Ambientalista da Bahia

Imaflora - Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola

Imazon – Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia

Inesc – Instituto de Estudos Socioeconômicos

IPAM - Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia

ISA - Instituto Socioambiental

ICV - Instituto Centro de Vida

Vitae Civilis - Instituto para o Desenvolvimento, Meio Ambiente e Paz

WWF - Brasil

Mais informações com André Lima (61 9944-4226 / 9649-9908)


(29.04.2010)


Fonte: Instituto Socioambiental - ISA.